Nas reuniões. mediunicas, como proceder? Devemos chamar os espíritos ou deixar aberto a comunicação?

13/07/2026

Como proceder nas reuniões mediúnicas

Segundo O Livro dos Médiuns, as comunicações podem ocorrer de duas maneiras legítimas:

  1. Espontaneamente, quando o Espírito se apresenta por iniciativa própria;
  2. Por evocação, quando determinado Espírito é chamado.

Nenhuma dessas modalidades deve ser excluída de modo absoluto. Entretanto, não é recomendável deixar a comunicação aberta indiscriminadamente a qualquer Espírito, sem direção, recolhimento e exame.

A evocação direta e sua finalidade

De acordo com O Livro dos Médiuns, capítulo XXV, item 269, a chamada direta de determinado Espírito estabelece um laço entre ele e os participantes da reunião. A evocação expressa uma intenção definida e funciona como uma espécie de barreira contra a intromissão de Espíritos que não foram chamados.

Não evocar ninguém em particular, simplesmente deixando a manifestação aberta, equivale a permitir que qualquer Espírito procure comunicar-se. Allan Kardec observa que há, ao redor dos encarnados, muitos Espíritos, frequentemente de condição inferior, desejosos de encontrar oportunidade para se manifestarem. Por isso, uma reunião sem orientação pode favorecer comunicações levianas, frívolas ou enganosas.

A evocação, porém, não significa domínio sobre os Espíritos. Segundo O que é o Espiritismo, no capítulo “Médiuns e feiticeiros”, os Espíritos não estão subordinados aos caprichos dos médiuns ou dos evocadores. Ninguém pode constrangê-los a comparecer ou a responder. O Espírito evocado pode:

  • não estar disposto a falar;
  • não poder comunicar-se naquele momento;
  • não encontrar no médium o instrumento adequado;
  • não responder no sentido desejado pelos participantes.

Portanto, a evocação é um chamado respeitoso, e não uma ordem.

As comunicações espontâneas

As comunicações espontâneas não são, por si mesmas, inconvenientes. Segundo O Livro dos Médiuns, capítulo XXV, elas podem produzir ensinamentos admiráveis, porque o pensamento do Espírito se manifesta sem constrangimento e conforme sua própria disposição.

Contudo, sua aceitação exige que os responsáveis pela reunião estejam em condições de:

  • manter a direção dos trabalhos;
  • impedir que Espíritos maus ou levianos tomem a iniciativa;
  • examinar cuidadosamente a natureza das mensagens;
  • distinguir comunicações sérias das frívolas ou grosseiras.

Assim, aguardar comunicações espontâneas pode ser adequado em uma reunião séria e bem dirigida, mas isso não significa deixar o intercâmbio inteiramente aberto, sem critérios ou vigilância.

A importância da prece e do recolhimento

Segundo a dissertação “Sobre as sociedades espíritas”, em O Livro dos Médiuns, capítulo XXXI, as sessões devem começar com uma invocação geral, semelhante a uma prece, destinada a estabelecer o recolhimento.

Sem recolhimento, as comunicações tendem a ser levianas. Os bons Espíritos se dirigem aos ambientes em que são chamados com fervor e sinceridade. A invocação inicial deve, portanto, expressar o propósito sério da reunião e o pedido de assistência a Deus e aos bons Espíritos.

O início dos trabalhos deve conter:

  1. Recolhimento dos participantes;
  2. Prece ou invocação geral;
  3. Definição séria da finalidade da reunião;
  4. Pedido de assistência aos bons Espíritos;
  5. Disposição para examinar tudo com prudência.

A influência moral do ambiente

Segundo O Livro dos Médiuns, capítulo XXI, item 231, todos os Espíritos que cercam o médium exercem influência nas manifestações, auxiliando para o bem ou para o mal. Por isso, a qualidade da reunião não depende apenas da forma utilizada para chamar os Espíritos, mas também da intenção e da disposição moral dos participantes.

Os Espíritos superiores podem manifestar-se em meios imperfeitos quando julgam conveniente, mas isso constitui uma circunstância especial. Em regra, eles não frequentam reuniões onde sua presença seria inútil, especialmente ambientes dominados pela ironia, pela frivolidade ou pela falta de sinceridade.

Em meios pouco instruídos, mas sinceros, os bons Espíritos podem comparecer de boa vontade. Isso mostra que a condição fundamental não é a erudição dos participantes, mas a seriedade da intenção, o respeito e a sinceridade.

O exame das comunicações

A identidade atribuída ao comunicante não deve ser aceita apenas porque o Espírito declarou determinado nome. Mesmo quando há evocação direta, deve-se examinar a comunicação.

Segundo O Livro dos Médiuns, capítulo XIX, item 223, a distinção deve ser feita pela:

  • natureza da comunicação;
  • linguagem empregada;
  • coerência das respostas;
  • circunstâncias da manifestação.

A orientação é clara: estudar e observar.

De acordo com o capítulo X da mesma obra, as comunicações refletem necessariamente o grau de inteligência e de moralidade dos Espíritos. Elas podem ser:

  • Grosseiras, quando revelam baixeza, insolência ou linguagem incompatível com o decoro;
  • Frívolas, quando são fúteis, levianas ou voltadas apenas à diversão;
  • Sérias;
  • Instrutivas.

Os Espíritos levianos aproveitam as oportunidades para se intrometerem e mistificarem aqueles que lhes dão crédito sem exame. Por isso, nem a evocação nem a manifestação espontânea dispensam o controle racional e doutrinário das mensagens.

Como formular as perguntas

Quando houver evocação ou diálogo com um Espírito comunicante, as perguntas devem ser preparadas com cuidado. Segundo O Livro dos Médiuns, capítulo XXVI, item 286, elas precisam reunir duas qualidades fundamentais:

  1. Clareza e precisão na forma;
  2. Seriedade e adequação no conteúdo.

As perguntas devem seguir uma ordem metódica, decorrendo naturalmente umas das outras. Devem ser evitadas questões confusas, complexas, indiscretas ou formuladas apenas para testar a perspicácia do Espírito.

A reunião mediúnica não deve ser conduzida pela curiosidade, mas por uma finalidade séria e instrutiva.

Procedimento doutrinariamente adequado

Com base em O Livro dos Médiuns, o procedimento pode ser organizado da seguinte maneira:

1. Preparação do ambiente

A reunião deve ser formada por participantes sinceros, recolhidos e unidos em propósito sério. O ambiente moral exerce influência direta sobre as manifestações.

2. Prece ou invocação geral

Os trabalhos devem começar com uma invocação dirigida a Deus e aos bons Espíritos, pedindo assistência, proteção e orientação.

3. Direção definida das comunicações

Não se deve simplesmente abrir a reunião a qualquer entidade. Os responsáveis podem:

  • evocar determinado Espírito, quando houver finalidade legítima;
  • solicitar a assistência dos bons Espíritos;
  • permitir comunicações espontâneas, desde que sejam recebidas sob direção e vigilância.

4. Respeito à liberdade dos Espíritos

Nenhum Espírito deve ser considerado obrigado a comparecer ou responder. O chamado não é uma imposição.

5. Exame cuidadoso

Toda comunicação deve ser avaliada pela linguagem, pelo conteúdo, pela coerência e pelo caráter moral. O nome apresentado pelo comunicante, isoladamente, não constitui garantia suficiente.

6. Rejeição da frivolidade

Comunicações grosseiras, fúteis ou maliciosas não devem receber acolhimento nem estímulo. Segundo O Livro dos Médiuns, as pessoas que se comprazem nesse gênero de manifestação dão acesso aos Espíritos levianos, enquanto os Espíritos sérios se afastam.

Síntese da orientação

A orientação não é escolher obrigatoriamente entre evocar ou aguardar comunicações espontâneas. As duas formas podem ser utilizadas, desde que haja seriedade, recolhimento e discernimento.

Contudo, segundo O Livro dos Médiuns, não se deve deixar a comunicação aberta indistintamente a todos os Espíritos. A evocação direta possui a vantagem de estabelecer um vínculo definido e opor uma barreira aos intrusos. As comunicações espontâneas também podem ser acolhidas, mas somente quando a reunião consegue manter a direção dos trabalhos e não permite que Espíritos inferiores assumam a iniciativa.

Conclusão

Segundo a Doutrina Espírita, a reunião mediúnica deve começar pela prece e pelo recolhimento, manter finalidade séria e solicitar a assistência dos bons Espíritos. Pode-se realizar a evocação direta ou receber comunicações espontâneas, sem exclusão absoluta de nenhuma das modalidades. O essencial é que a reunião não permaneça indiscriminadamente aberta, que se respeite a liberdade dos Espíritos e que toda manifestação seja submetida a exame escrupuloso, pela natureza da mensagem, pela linguagem e pelo seu valor moral.

Fontes e referências

  • Allan Kardec — O Livro dos Médiuns:
    • Introdução;
    • Segunda parte, capítulo X — “Da natureza das comunicações”;
    • Segunda parte, capítulo XIX — “Do papel dos médiuns nas comunicações espíritas”;
    • Segunda parte, capítulo XXI — “Da influência do meio”;
    • Segunda parte, capítulo XXV — “Das evocações”;
    • Segunda parte, capítulo XXVI — “Das perguntas que se podem fazer aos Espíritos”;
    • Segunda parte, capítulo XXXI — “Dissertações espíritas: Sobre as sociedades espíritas”.
  • Allan Kardec — O que é o Espiritismo?:
    • Capítulo I — “Médiuns e feiticeiros”.

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