Onde vivem e o que fazem os Espíritos desencarnados?
Onde vivem e o que fazem os Espíritos desencarnados?
06/03/2026
Onde vivem os Espíritos desencarnados
Segundo O Livro dos Espíritos, os Espíritos desencarnados voltam ao mundo dos Espíritos, isto é, ao mundo espiritual, do qual haviam saído momentaneamente ao encarnar. A questão 149 afirma com clareza que, no instante da morte, a alma “volve ao mundo dos Espíritos”. Esse retorno não significa perda de existência, nem dissolução no todo, mas a retomada da vida espiritual, conservando o Espírito sua individualidade.
De acordo com O Livro dos Espíritos, questão 150, a alma após a morte jamais perde a sua individualidade. Ela conserva um envoltório fluídico, o perispírito, haurido do meio em que se encontra, guardando a aparência da última encarnação. Assim, o Espírito desencarnado não é um ser vago ou indefinido: segundo O que é o Espiritismo?, ele continua existindo como um ser real, dotado de um corpo fluídico e invisível no estado normal.
Segundo a Introdução ao estudo da doutrina espírita, em O Livro dos Espíritos, o mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo, enquanto o mundo corporal é secundário e transitório. Portanto, os Espíritos desencarnados vivem no estado que lhes é natural, isto é, no mundo invisível ou espírita.
A população espiritual ambiente da Terra
De acordo com A Gênese, no intervalo das existências corporais os Espíritos permanecem em estado de erraticidade e formam a população espiritual ambiente da Terra. Isso significa que, entre as encarnações, existe em torno do planeta uma população de Espíritos desencarnados, em contínua relação com a humanidade encarnada. As mortes e os nascimentos produzem incessante intercâmbio entre a população terrestre e a espiritual.
Essa informação é importante para compreender que os Espíritos não estão confinados a um lugar único, fixo ou imaginário. Segundo O Espiritismo em sua mais simples expressão, eles povoam o espaço e o percorrem com grande rapidez. Segundo O que é o Espiritismo?, a morte liberta o Espírito do corpo e lhe permite percorrer o espaço e transpor distâncias com a rapidez do pensamento.
Vivem apenas em torno da Terra?
Segundo O Livro dos Espíritos e A Gênese, os Espíritos povoam o universo fora do mundo material e não se limitam à Terra. A questão 76 de O Livro dos Espíritos ensina que os Espíritos são os seres inteligentes da criação e povoam o universo.
Além disso, de acordo com A Gênese e com Os milagres, o perispírito é formado dos fluidos do meio onde o Espírito se encontra. Por isso, quando um Espírito emigra de um mundo para outro, deixa o invólucro fluídico próprio do mundo que deixou e toma outro apropriado ao mundo onde vai habitar. Isso mostra que os Espíritos desencarnados podem viver não apenas na esfera espiritual ligada à Terra, mas também em relação com outros mundos, conforme seu grau e destino.
Há lugares prediletos?
Segundo O Livro dos Médiuns, alguns Espíritos podem apegar-se temporariamente a certos lugares ou objetos, sobretudo quando ainda conservam vinculações materiais. O texto afirma que Espíritos inferiores podem, por algum tempo, demonstrar preferência por determinados lugares. Entretanto, isso não constitui a regra geral da vida espiritual.
De acordo com a mesma obra, os Espíritos mais desmaterializados não se prendem à Terra nem aos objetos terrenos, e vão para onde tenham oportunidade de praticar o amor. Por isso, a Doutrina Espírita não ensina que os Espíritos desencarnados “morem” em ruínas, cemitérios ou lugares assombrados por natureza. Segundo O Livro dos Médiuns, eles podem estar em toda parte, e com frequência preferem os lugares habitados, porque são atraídos mais pelas pessoas do que pelos objetos.
Em que estado vivem os Espíritos desencarnados
Estado de erraticidade
Segundo O Livro dos Espíritos, questão 224, no intervalo das encarnações a alma é um Espírito errante, “que aspira a novo destino” e fica esperando. Esse estado recebe o nome de erraticidade.
A erraticidade, porém, não quer dizer desocupação, nem condenação uniforme. Segundo a questão 225, ela não é por si só sinal de inferioridade, porque há Espíritos errantes de todos os graus. A encarnação é passageira; o estado normal do Espírito é estar liberto da matéria.
Segundo a questão 226, são errantes todos os Espíritos que ainda tenham de reencarnar. Apenas os Espíritos puros, que alcançaram a perfeição, já não se acham em erraticidade, porque entraram em seu estado definitivo.
A condição moral varia conforme o grau do Espírito
De acordo com O que é o Espiritismo?, os Espíritos não se tornam imediatamente perfeitos ao deixarem o corpo. Eles se libertam das imperfeições físicas, mas não necessariamente das imperfeições morais, que pertencem ao próprio Espírito. Por isso, entre os desencarnados há Espíritos mais ou menos adiantados, moral e intelectualmente.
Essa distinção é fundamental para entender o que fazem os Espíritos desencarnados. Segundo a Doutrina Espírita, a situação deles após a morte depende do seu grau de adiantamento. Uns são mais lúcidos, mais livres e mais aptos ao bem; outros conservam paixões, preconceitos e erros. Assim, a vida espiritual não é uniforme.
O que fazem os Espíritos desencarnados
1. Continuam a viver, perceber e agir
Segundo O que é o Espiritismo?, a alma depois da morte não cai em inatividade. Ela continua a ver, ouvir, perceber e experimentar sensações que escapam aos sentidos corporais. Após o desprendimento do corpo, o Espírito conserva-se algum tempo em perturbação, com duração variável, mas readquire gradualmente a lucidez e a consciência de sua situação.
Isso mostra que a desencarnação não é aniquilamento, mas continuação da vida em outra condição. O Espírito segue consciente de si, conserva a memória e permanece apto à atividade.
2. Aguardam nova encarnação e aspiram a novo destino
Segundo O Livro dos Espíritos, questão 224, o Espírito no intervalo das encarnações espera e aspira a novo destino. Esse intervalo pode durar desde algumas horas até muitos séculos.
De acordo com a mesma questão, a duração desse estado depende do livre-arbítrio e, em certos casos, pode constituir expiação. Alguns Espíritos pedem que esse intervalo se prolongue, para prosseguirem estudos que só na condição de Espírito livre podem realizar com proveito.
Portanto, uma das ocupações dos Espíritos desencarnados é preparar-se para nova existência, amadurecer, aprender e aproximar-se das condições necessárias ao próprio progresso.
3. Estudam e se instruem
Segundo O Livro dos Espíritos, alguns Espíritos desejam prolongar a erraticidade a fim de continuar estudos úteis ao seu adiantamento.
Essa ideia é confirmada no capítulo sobre o sono e os sonhos. Ali se ensina que, durante o sono, o Espírito encarnado entra em relação mais direta com outros Espíritos, viaja, conversa e se instrui. O texto acrescenta que muitos Espíritos elevados, quando desencarnados, se desligam prontamente da matéria e se aproximam de seres superiores, com os quais continuam essa vida de relação, aprendizado e trabalho.
Logo, a vida espiritual inclui atividade intelectual e moral. O Espírito desencarnado não vive em ociosidade, mas em processo de conhecimento, convivência e aperfeiçoamento.
4. Trabalham e cumprem missões
Segundo O Livro dos Espíritos, capítulo Das ocupações e missões dos Espíritos, os Espíritos não se ocupam apenas de sua melhoria pessoal. A questão 558 ensina que eles concorrem para a harmonia do universo, executando as vontades de Deus, de quem são ministros. A vida espírita é descrita como uma ocupação contínua, sem fadiga corporal e sem as angústias das necessidades materiais.
Na questão 559, afirma-se que até os Espíritos inferiores e imperfeitos desempenham função útil no universo, pois todos têm deveres a cumprir. E a questão 560 declara que todos devem habitar diversas regiões e adquirir o conhecimento de muitas coisas, presidindo sucessivamente ao que se efetua em diferentes pontos do universo.
Segundo a questão 561, essas funções não são privilégios fixos e eternos de determinadas classes; todos percorrem os diferentes graus da escala, adquirindo pelo esforço os conhecimentos necessários.
Assim, os Espíritos desencarnados trabalham, servem, executam tarefas, adquirem experiência e cooperam na ordem universal. Essa atividade não é acidental; ela faz parte normal da vida espiritual.
5. Alguns se dedicam a ocupações ativas; outros permanecem em incerteza
Segundo a Errata da 5ª edição de O Livro dos Espíritos, entre os Espíritos não encarnados há aqueles que têm missões a cumprir e se entregam a ocupações ativas, gozando de relativa felicidade.
Outros, porém, “como que flutuam no vazio e na incerteza”; estes são os errantes, na acepção mais própria do termo, e correspondem ao que se designa por “almas a penar”. Esse trecho mostra que a vida espiritual difere conforme o estado íntimo do Espírito: os mais adiantados têm maior direção, atividade útil e relativa felicidade; os menos esclarecidos podem experimentar hesitação, perturbação e sofrimento moral.
6. Os inferiores podem apegar-se à Terra e às paixões materiais
Segundo O Livro dos Médiuns, certos Espíritos ainda apegados à matéria podem prender-se a objetos, tesouros, lugares ou interesses terrenos. Isso revela que o desencarnado leva consigo suas disposições morais.
De acordo com O que é o Espiritismo?, o Espírito não perde imediatamente suas paixões e preconceitos ao deixar o corpo. Por isso, muitos continuam presos às inclinações adquiridas durante a vida corpórea.
Essa realidade aparece também em O Céu e o Inferno, onde se descreve que os Espíritos maus, egoístas e endurecidos, depois da morte, permanecem perturbados, inquietos e inclinados ao mal, buscando exercer suas tendências inferiores junto aos homens. A obra mostra que, para esses Espíritos, a atividade pode degenerar em ação malévola, decorrente do seu próprio estado moral.
Segundo a Doutrina Espírita, portanto, os Espíritos desencarnados fazem, após a morte, aquilo que corresponde ao que são moralmente: os bons se elevam, trabalham e amam; os imperfeitos conservam inferioridades, incertezas e apegos.
7. Mantêm relações com outros Espíritos e com os encarnados
Segundo O Livro dos Espíritos, durante o sono os Espíritos encarnados entram em relação mais direta com outros Espíritos. Isso mostra que o mundo espiritual é um mundo de relações, não de isolamento absoluto.
Segundo A Gênese, existe contínuo intercâmbio entre a população encarnada e a desencarnada da Terra. Portanto, os Espíritos desencarnados convivem entre si e também se relacionam, de formas diversas, com os homens.
Além disso, segundo O Livro dos Médiuns, alguns se aproximam mais das pessoas do que dos lugares, o que reforça que sua presença e ação se dão no campo das relações morais, afetivas e espirituais.
8. Os puros já não aguardam reencarnação
Segundo O Livro dos Espíritos, questão 226, os Espíritos puros não são errantes, porque já chegaram à perfeição e se encontram em seu estado definitivo.
De acordo com a questão 153, a vida do Espírito é eterna, e, para os Espíritos puros, essa vida se caracteriza como felicidade eterna, pois já não estão sujeitos às provas e expiações da vida corporal. Portanto, quando se pergunta o que fazem os Espíritos desencarnados, é preciso distinguir: muitos aguardam e trabalham em vista do progresso; os puros já vivem na condição definitiva própria da perfeição alcançada.
Síntese doutrinária
Segundo a Doutrina Espírita, os Espíritos desencarnados vivem no mundo espiritual, que é o mundo normal dos Espíritos, formando, no caso da Terra, a população espiritual que envolve o planeta e mantendo ainda sua individualidade pelo perispírito. Eles não ficam inativos: esperam novas encarnações, estudam, se instruem, trabalham, cumprem missões e concorrem para a harmonia do universo, cada qual conforme o seu grau de adiantamento. Os mais elevados exercem ocupações úteis e aproximam-se do bem; os menos adiantados conservam incertezas, apegos e imperfeições. Assim, segundo Allan Kardec, a vida após a morte é continuação consciente, ativa e progressiva da existência do Espírito no mundo que lhe é próprio.
